Entre Rios - Crítica
- Victor Axhcar

- 3 de mai. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 7 de mai. de 2019
O minidocumentário Entre Rios, produzido pelo Coletivo Madeira, conta a história da urbanização da metrópole paulistana a partir das violentas modificações dos cursos naturais dos rios que por aqui passavam até o século XIX.
Logo no começo, o diretor faz uma clara crítica à elite paulistana da época ao afirmar que eles sonhavam em construir uma cidade como as cidades europeias, mas os rios atrapalhavam esse sonho. E a solução que encontraram foi transformar os rios, modificar suas curvas e afundar seu leito. Dessa forma, levariam o esgoto para longe da vista de todos e foram criadas novas terras e lotes para arrendamento.
Quem vê a cidade hoje, tem a impressão de que a urbanização foi um desenvolvimento natural da sociedade. Mas o documentário, ao explorar a história das águas na antiga Vila de São Paulo de Piratininga, demonstra que o processo de urbanização de São Paulo não foi nada natural. Pelo contrário, é fruto do planejamento estatal aliado ao empresariado, para extrair riqueza do meio urbano e fazer de São Paulo uma autêntica cidade de propriedades privadas e automóveis.
Infelizmente o que aconteceu em São Paulo é a mais pura realidade e aconteceu em muitos outros lugares do mundo, diversos rios foram desviados, muita mata foi derrubada, tudo para o acesso do homem ser facilitado. Hoje toda a população sofre com os danos. Um exemplo dado no documentário é de que ainda falamos das enchentes típicas do verão como se fossem consequência do excesso de chuva. Porém o filme aponta que essas enchentes são produto das escolhas e obras feitas no século passado, “erros” voluntários dos dirigentes da cidade, que se repetem continuamente até hoje.
Em 25 minutos, os produtores conseguiram contar a história sobre São Paulo, com diversos depoimentos de geógrafos, historiadores, arquitetos e engenheiros, servem como ilustração de como uma metrópole desigual, poluída, interditada de carros, com problemas seríssimos de enchente, foi construída para o propósito do lucro, independentemente dos impactos trazidos à natureza e à qualidade de vida da maioria de sua população.
E, ao final, Entre Rios passa a mensagem de que foram os rios que pagaram a conta das reformas urbanas do século passado.
O vídeo foi realizado em 2009 como trabalho de conclusão de Caio Silva Ferraz, Luana de Abreu e Joana Scarpelini no curso em Bacharelado em Audiovisual no SENAC-SP.




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